Terça-feira, 10 de Março de 2009

O Liberalismo em Portugal

D. João IV«E como se os males comuns não fossem bastantes para oprimir uma Nação já antecipadamente atenuada pela longa série dos acontecimentos que preparavam a catástrofe de 1807 [invasões francesas], sobreviveram ainda outros não menos agravantes e de trato sucessivo que nos são particulares.
O primeiro e o principal é a ausência do soberano num país remoto, donde não pode nem conhecer toda a extensão dos nossos sofrimentos, nem enxugar as lágrimas da nossa orfandade. Foi uma medida de absoluta necessidade, que salvou a monarquia nos seus lances mais arriscados, porém, sepultou a Nação em luto; e, desde logo, podia prever-se que desorganizaria os princípios da administração interna e transformaria todo o nosso sistema comercial.
Teve por consequências imediatas a abertura do comércio do Brasil às nações estrangeiras e a repentina extinção do Brasil às nações estrangeiras e a repentina extinção do sistema colonial […]. Seguiu-se a admissão indistinta de todos os géneros de produção e manufactura inglesa, pagando somente 15 por cento de entrada, pelo tratado de comércio de 1810, e a devastação das províncias centrais do Reino na invasão do general Massena, depois do saque da cidade do Porto e dos estragos feitos nas províncias do Norte pelo exército do general Soult. […]
Num reino flagelado por tantos modos, e tendo de sustentar um exército superior ao que permitem os seus meios, parte na Europa e parte na América, é fácil de julgar em que abatimento cairiam as rendas do Estado, como poderia pagar-se a dívida pública e sustentar-se o crédito […].»
José Acúrsio das Neves, Variedades sobre as Artes (1814-1817)
Explique os factores que contribuíram para a eclosão da Revolução de 1820.
Publicado por História às 22:44
| Comentar
4 comentários:
De Cátia Santos a 10 de Março de 2008 às 22:09
Apesar das invasões francesas terem terminado, o país estava numa situação muito difícil: enorme perda de vidas humanas, o comércio e a indústria estavam paralisados, havia pontes cortadas, casas e monumentos destruídos e saqueados.

Além disso, e apesar das guerras com os Franceses terem acabado, os Ingleses continuavam em Portugal contra a vontade de muita gente, com o pretexto de garantir a defesa e a reorganização do seu exército. O marechal inglês William Beresford era a principal autoridade do Reino.

Para além desta situação de dependência em relação à Grã-Bretanha, outros problemas causaram o descontentamento dos portugueses:

- D. João e a corte continuavam no Brasil, sem se preocuparem com o que se passava em Portugal.

- O general Beresford continuava a controlar o exército português e a influenciar as decisões dos governantes.

- Em 1808, D. João abriu os portos brasileiros ao comércio estrangeiro, prejudicando os comerciantes e os interesses portugueses.


De melissa a 28 de Setembro de 2009 às 12:51
eu gostei de tudo esse site é muito legalllllllllllllll.


De melissa. a 28 de Setembro de 2009 às 12:57
ótimo,maravilhoso e super legallllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll.


De Graça Silva a 27 de Março de 2008 às 22:04
As invasões francesas, deixaram Portugal muito decadente, pois a devastação e destruição deixada por estas foi enorme: muitas pessoas morreram, a agricultura, o comércio e a indústria foram fortemente afectados e o património nacional sofreu duros danos com o saque de mosteiros, igrejas e palácios.

Como se já não bastasse, de 1808 a 1821, Portugal viveu uma dupla condição. Isto é, por um lado o rei estava no Brasil, o que fazia de Portugal uma colónia brasileira e o que descontentava os portugueses, tal como Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato , (político e publicista português, representante do liberalismo conservador), referiu em "Memórias", «Lastimavam-se todos da continuação da ausência de Sua Majestade e da real família, o que não podia deixar de reduzir este reino ao estado de colónia...», por outro lado Portugal estava sobre o protectorado inglês, isto é, o nosso Estado estava sob a autoridade do Estado inglês, o marechal Beresford , (militar britânico), tinha plenos poderes para organizar a defesa, tornou-se Presidente da Junta Governativa e generalíssimo das tropas portuguesas, onde britânicos ocupavam as altas patentes, controlou também o funcionalismo e a economia, reactivou a Inquisição e encheu as prisões de suspeitos de jacobinismo, ( a repressão de Beresford ficou cruelmente assinalada em 1817, quando foi descoberta uma conspiração entre oficiais do exército, chefiado pelo general Gomes Freire de Andrade, grão-mestre da maçonaria , acusado de pretender instalar um regime liberal e expulsar os ingleses, foi condenado à morte e enforcado no Forte de S. Julião da Barra, em Lisboa, enquanto mais onze suspeitos sofriam igual execução no Campo de Santana).

A abertura dos portos do Brasil, em 1808, ao comércio internacional , assim como o tratado de comércio de 1810 com a Inglaterra, que estabeleceu a liberdade de comércio em Portugal e deu grandes facilidades à entrada de manufacturas inglesas no Brasil, deu origem ao desmoronamento do comércio luso-brasileiro e aos consequentes prejuízos económicos da burguesia metropolitana.
Com tudo isto, em 1820, a situação económica e financeira de Portugal era deplorável.

Foi precisamente no seio da burguesia, que a agitação revolucionária lavrou e a revolta se preparou. Já em 1817, no Porto, Manuel Fernandes Tomás, desembargador da Relação, fundara com alguns amigos, uma associação secreta, com o nome de Sinédrio.
Além dos referidos factores que influenciaram a revolução de 1820, ainda existiam outros, tais como:
- uma revolução liberal triunfara na Espanha e, a 3 de Março, o rei Fernando VII jurou a Constituição de Cádis de 1812, que deixara de funcionar após a reacção absolutista de 1814;
- Portugal passou a receber muita propagande liberal da Espanha, tal como panfletos, pasquins e edições trduzidas da Constituição espanhola;
- em fins de Março, Beresford embarcava para o Rio de Janeiro, a fim de solicitar ao rei dinheiro para pagamento de despezas militares, além de mais amplos poderes que lhe permitissem reprimir a crescente onda de agitação.

A ausência do marechal-general favoreceu a acção do Sinédrio, cujos membros se lançaram com entusiasmo no aliciamento das principais figuras militares indispensáveis à revolução.

A revolução desencadeou-se no dia 24 de Agosto de 1820.


Comentar post

Externato Luís de Camões

Pesquisar

 

Junho 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Posts recentes

Guia de estudo para o exa...

Guia de estudo para o tes...

Apresentação "Do autorita...

Caderno Diário "Do autori...

A Revolução de Abril

A liberalização fracassad...

Continuidade e evolução

O isolamento internaciona...

A defesa da independência...

A defesa do Ultramar

A solução para o Ultramar

O sobressalto político de...

Apresentação "Os Totalita...

O Estalinismo

O Estado Novo

O Nazismo

O Fascismo

As consequências da Grand...

A Grande Depressão dos an...

Caderno Diário "A Grande ...

Os "loucos anos 20" e as ...

Caderno Diário "Mutações ...

A falência da Primeira Re...

O agravamento da instabil...

Caderno Diário "Portugal ...

Caderno Diário "As transf...

Da depressão económica à ...

Guia de estudo: As Revolu...

Guia de estudo: A Filosof...

Guia de estudo: O Absolut...

Guia de estudo: A Socieda...

Trabalho de pesquisa - A ...

Trabalho de pesquisa - A ...

Trabalho de pesquisa - A ...

Exercício 5 - A Declaraçã...

Exercício 3 - Manifestaçõ...

Exercício 2 - O Absolutis...

Exercício 1 - A Sociedade...

Do Absolutismo às Revoluç...

Guia de estudo: Humanismo...

Arquivos

Junho 2013

Abril 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Maio 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Outubro 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Outubro 2007

Ligações