Quinta-feira, 20 de Março de 2008

A resistência das forças de Antigo Regime

Caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel a lutar pela Coroa portuguesa«Portugueses!

É tempo de quebrar o férreo jugo em que ignominiosamente vivemos. [...]

[...] Em lugar dos primeiros direitos nacionais, que vos prometeram recobrar em 24 de Agosto de 1820, deram-vos a sua ruína, e o Rei reduzido a um mero fantasma; a Magistratura diariamente ultrajada; a Nobreza. à qual se agregaram sucessivamente os Cidadãos beneméritos, e à qual deveis vossa glória nas terras de África e nos mares da Ásia, reduzida ao abatimento e despojada dos lustre que outrora tivera do reconhecimento Real; a Religião, e seus ministros, objectos de mofa e de escárnio. [...]

Eia, Portugueses, uma mais longa prudência seria infame.»

 

Vila Franca, 27 de Maio de 1823

D. MIGUEL

 Sintetize as dificuldades de implementação do liberalismo em Portugal.

Publicado por História às 23:00
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5 comentários:
De Cátia Santos a 10 de Março de 2008 às 23:11
A implementação do Liberalismo em Portugal foi difícil. Em 1823 e 1824, D. Miguel faz dois golpes militares com vista à restauração do Absolutismo.

Após a morte de D. João VI, em 1826, põe-se o problema da sucessão, visto que D. Pedro (o filho primogénito) tinha proclamado a indepêndencia do Brasil em 1822 e era na altura o imperador deste país. Assim, D. Pedro abdicou da coroa portuguesa em favor da sua filha D. Maria, e combina o casamento desta com D. Miguel. Como D. Maria é ainda criança, D. Miguel governaria em Portugal, mas com uma condição: respeitar a Carta Constitucional dada por D. Pedro. D. Miguel aceita, mas logo a seguir proclama-se rei absoluto e persegue todos os partidários do Liberalismo.

Ao saber disto, D. Pedro regressa a Portugal e junta-se ao liberais, para fazer valer os direitos da sua filha. Desencadeia-se, então, uma guerra civil entre absolutistas e liberais que dura dois anos, vencendo definitivamente o Liberalismo.


De Natacha e Patricia a 18 de Março de 2008 às 17:43
Em Portugal, a burguesia comercial e industrial era um grupo minoritário, mesmo em Lisboa e no Porto. O triunfo da Revolução de 1820 deveu-se mais à vontade nacional em torno da exigência do regresso do rei, da saída dos Ingleses e da recondução do Brasil à antiga situação colonial do que ao programa dos liberais.
A burguesia nacional não se revelava um grupo coeso e homogéneo, manifestando contradições no seu seio.
Tais contradições explicam o “idealismo” e “verbalismo” dos vintistas. Defendiam os interesses dos proprietários rurais, que afastavam a concorrência e vendiam por bom preço os produtos das suas terras. Em contrapartida, prejudicavam-se os sectores comerciais e industriais da burguesia, dependentes do circuito importações/exportações e da elevação do poder de compra das massas populares para os seus investimentos industriais.
Por outro lado, a independência do Brasil, em 1822, representou um rude golpe para a burguesia revolucionária: pôs em causa os seus interesses comerciais e industriais, como comprometeu a recuperação económico-financeira do país e fez crescer o descontentamento e a oposição para o vintismo.
A reforma dos forais, decretada em Junho de 1822, decepcionou o pequeno campesinato dos rendeiros, limitando-se a reduzir em metade as pensões e os foros estipulados. A reforma dos forais denunciava, pois, a origem social dos deputados que a votaram(burguesia rural). Por outro lado, a maioria do campesinato não participou dos benefícios da venda dos bens nacionais. Assim incapazes de aderirem e de se identificarem com a acção legisladora do vintismo, as massas populares ficaram receptivas à contr-reforma.


De cristina leite a 26 de Março de 2008 às 13:43
A revolução portuguesa foi tardia. Para isso contribuíram diversos factores de que se podem salientar os seguintes:
*Isolamento geográfico do país, o mais ocidental da Europa;
*Grande atraso em relação aos países industrializados, tendo-se mantido rural e com uma estrutura social e mental própria do Antigo Regime. Excesso de poder das ordens religiosas e da nobreza. Grande imobilismo intelectual;
*•Absolutismo ligado a uma sucessão de organismos repressores: Inquisição até ao reinado de D. José dissolvida pelo Marquês de Pombal; depois, criação pelo Marquês da Real casa Censória; no tempo de D. Maria I, a actuação da polícia de Pina Manique, reprimindo as ideias liberais com uma violência invulga;
*Exílio obrigatório dos portugueses que queriam obter mais conhecimentos ou que contestavam o regime, para a Inglaterra e França. Aí foram formando uma comunidade intelectual, editaram numerosos jornais de contestação que iam entrando clandestinamente em Portugal, minando o regime. No estrangeiro elaboraram um programa completo de reformas (culturais, sociais, políticas, económicas…) para o país;
*Absoluta dependência do país para com a Inglaterra. A revolução industrial inglesa foi prejudicial para Portugal porque a nascente indústria portuguesa não podia competir com a qualidade e preços praticados pelos Ingleses;
*As invasões franceses vieram cortar a maior tentativa de industrialização dos Portugueses mediante a utilização de maquinaria importada. Depois, a abertura dos portos brasileiros à Inglaterra foi um golpe para a nossa burguesia.


De 007 a 9 de Março de 2012 às 17:07
boa!


De Graça Silva a 29 de Março de 2008 às 12:30
Foi num ambiente internacional hostil que a revolução liberal portuguesa se implantou. Esta foi relativamente tardia, já na altura em que as grandes potências procuravam eliminar os vestígios da experiência revolucionária francesa.

Em 1815, tinha-se constituído a Santa Aliança, entre a Rússia, a Áustria e a Prússia, que se destinava a manter a ordem política estabelecida na Europa após o congresso de Viena, isto é, a evitar a disseminação dos ideais da liberdade e igualdade individuais e dos povos. Logo a seguir, tinha sido completada pela Quádrupla Aliança, que contou com a participação da Inglaterra e, mais tarde, da França, servindo para reprimir vários movimentos liberais e nacionalistas.

O ambiente hostil da revolução, deveu-se essencialmente às tentativas de bloqueio comercial, na recusa de passaportes para portugueses, processadas pelos países da Santa Aliança, assim como no apoio aos contra-revolucionários.

Outro factor adverso resultou da posição ambígua da Inglaterra, que não só não apoiou abertamente o vintismo português (tendência do liberalismo português, instituído na sequência da Revolução de 1820, e consagrada na Constituição de 1822, que se caracterizou pelo radicalismo das suas posições, ao limitar os privilégios reais e ao não reconhecer qualquer situação de regalia à nobreza e ao clero), como lhe criou variadas dificuldades.
Apesar de ter sido um centro difusor dos ideais do liberalismo, a Inglaterra, não podia esquecer que os revolucionários de 1820 se insurgiam contra o domínio britânico na economia portuguesa e pugnavam pela revisão do tratado comercial, em 1810, que praticamente lhes tinha entregue o Brasil.
Foi precisamente o desejo de não deixar escapar o mercado brasileiro que levou a Inglaterra a apoiar a independência daquela colónia e a tudo fazer para que Portugal a reconhecesse, o que veio a acontecer em 1825.

Como se já todos estes factores não bastassem, havia ainda uma divisão ideológica entre os liberais, constituindo três tendências diferenciadas:
- os moderados, com o apoio em franjas importantes da alta burguesia, da nobreza, do clero, do funcionalismo e das profissões livres, que optavam pelo constitucionalismo à inglesa;
- os radicais, adeptos do modelo francês da época da Convenção, fortes em cúpulas, mas débeis quanto à base de apoio (intelectuais e pequena burguesia);
- os gradualistas, assim chamados por defenderem reformas graduais, com adeptos no comércio urbano e nas profissões jurídicas, que optavam por um modelo misto, uma espécie de simbiose entre os dois anteriores.


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