Terça-feira, 4 de Maio de 2010

As fragilidades da nova ordem política

Cartaz alemão sobre o "diktat" de VersalhesO ressentimento alemão
«Nunca foi infligida a um povo, com mais brutalidade, uma paz tão gravosa e tão ignominiosa como ao povo alemão a vergonhosa paz de Versalhes. Em todas as guerras dos últimos séculos, negociações entre vencedor e vencido tinham precedido a conclusão da paz […].
Mas uma paz sem negociações prévias, uma paz ditada como a de Versalhes, é uma paz tão pouco verdadeira como o facto de não existir transferência de propriedade quando um malfeitor deita por terra um infeliz e o obriga em seguida a entregar a sua carteira […].
Para conservar o gigante algemado, puseram dois esbirros nos seus flancos, a Polónia e a Checoslováquia, que receberam o direito, também conservado pelos Estados vencedores, de aumentar livremente as suas forças militares, ao passo que o nosso exército, outrora o mais forte e bravo do mundo, era reduzido a não ser mais do que uma força de polícia apenas suficiente para manter a ordem interna.»
Bulow, “Mémoires”, 1931, in Noushin, Marc (1996), O Século XX, Lisboa, Instituto Piaget

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Publicado por História às 17:14
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2 comentários:
De Graça Silva a 13 de Abril de 2008 às 23:02
A 1ª Guerra Mundial foi desbastadora , causando uma crise económica sem precedentes, sobretudo na Europa, atingiu decisivamente os fundamentos do poder das potências europeias, mas beneficiou os EUA.

Antes da guerra a economia internacional estava sob a hegemonia da Grã-Bretanha, pois era a nação que mais investia, emprestava e comerciava no mundo.
Nesta altura os EUA, era uma país devedor à Grã-Bretanha e à França. Mas o conflito entre 1914 e 1918 inverteu a posição destas potências. Os EUA exportaram para os seus credores mercadorias necessárias para a guerra, acumularam uma grande quantidade de ouro utilizado pela Tríplice Entente (os EUA estavam do seu lado, para pagar as importações), e passaram a emprestar dinheiro aos seus aliados.
A guerra fez com que a presença europeia nos importantes mercados regionais diminuísse, como na América Latina, que foi rapidamente ocupada pelo comércio norte-americano .
Com esta transposição de potências, os EUA tornaram-se uma nação credora e passaram a deter simultaneamente o domínio financeiro, comercial e industrial a uma escala mundial.

No meio do clima deplorável deixado pela guerra, os países vencedores quiseram assegurar a paz, pois, além da troca de potências que acabei de evidenciar, que abalou profundamente a Europa, existia uma quantidade desmedida de outras lastimáveis realidades, como a morte de um enorme número de pessoas, a destruição completa de muitas cidades, os sobreviventes que estavam destroçados , enfim, um número atroz de consequências disturbava toda a Europa, sendo fundamental um clima de paz.

Foi, então, feita uma Conferência de Paz em Paris (entre 1919 e 1920), para construir uma nova ordem internacional do pós-guerra.
Este projecto foi dominado pelos "Quatro Grandes", ou seja, por Wilson (presidente dos EUA), Clemenceau (1º ministro da França), Lloyd George (1º ministro da Grã-Bretanha) e Orlando (1º ministro da Itália).
No início da Conferência, Wilson parecia deter uma posição de dominância, devido ao seu poder económico. O seu projecto ficou conhecido como wilsonianismo ou internacionalismo liberal norte-americano, que consistia numa ordem internacional liberal que, por meio de uma Liga das Nações sob a hegemonia norte-americana garantisse a auto determinação dos povos, a democracia, a liberdade económica, a segurança colectiva e a paz mundial.
Assim, o presidente americano juntamente com outras potências, criou a Liga das Nações e a imposição de 5 tratados às potências derrotadas. Estes tratados decepcionaram a opinião pública da França, da Grã-Bretanha e da Itália, pois achavam-nos brandos demais, por outro lado, os derrotados achavam-nos muito severos, principalmente os alemães e os húngaros.
Os EUA não assinaram os tratados e também não entraram na Liga das Nações.

Se analisarmos o Tratado de Versalhes, imposto à Alemanha, iremos perceber a frustração dos alemães, presente no texto de Bulow .
Algumas das principais cláusulas impostas aos alemães foram: restituição à França da Alsácia-Lorena; cessão de territórios; perda de todas as suas colônias, que passaram ao controle dos Aliados; o porto de Danzig tornou-se uma Cidade Livre; ocupação do distrito do Saar ou Sarre pela França por 15 anos, para explorar as suas minas de carvão; desmilitarização da Renânia, para evitar no futuro novas agressões alemãs; redução drástica das forças armadas alemãs; abolição do serviço militar obrigatório, proibição de possuir diversos armamentos e limitação da marinha de guerra; proibição da união entre Alemanha e Áustria; o czar Guilherme II, que deveria ser julgado; a Alemanha teria que pagar aos Aliados reparações financeiras.
A Alemanha foi obrigada a assinar este tratado, contudo, algumas das leis impostas não foram cumpridas, como o julgamento do czar, que não aconteceu, conseguiram também escapar à cláusula do desarmamento e obtiveram ajuda dos EUA, e uma grande parte da sua dívida foi absolvida.

Assim o Tratado de Versalhes é apontado como uma das principais causas para o surgimento da 2ª Guerra Mundial, desencadeada pela Alemanha.

Concluíndo, a Conferência de Paz não conseguiu criar uma "paz justa sem vencedores e derrotados".


De Tânia Moreira a 17 de Junho de 2008 às 17:12
A Primeira Guerra Mundial foi um período que vai de 1914 a 1918, que deixa os países que nela se envolvem com danos incalculáveis, nomeadamente na Europa, campos destruídos, prejuízos a nível humano e material, que vai então provocar o declínio da Europa.
Desta forma, em 1919 deu-se início à Conferência de Paz, em Paris que
contou com a presença das potências vencedoras, e de entre estas foram 3 a liderar os debates, na França com Clemenceau, na Grã-Bretanha com Llody
George e nos Estados Unidos com Wilson.
Na sequência desta conferência, nasceu a mensagem em 14 pontos, documento que o presidente Wilson lera perante o Congresso Americano, que serviu de base ás negociações. Defendia a prática de diplomacia transparente, defendia a liberalização das trocas e da navegação, defendia o respeito para com as nacionalidades, a redução de armamentos, e por fim a criação de uma liga das nações.
Posto isto, persistiu dificuldade em obter consensos, já que os interesses divergiam, mas a partir de Junho de 1919, os acordos surgiram. Concretizaram-se nos Tratados de Versalhes, entres outros. A estes tratados se ficou a dever uma nova ordem internacional e uma nova geografia politica.
Neste contexto, os tratados marcaram uma alteração profunda no mapa da Europa e Médio Oriente.
Mudanças, que se resumem, no desmoronamento dos impérios austro-húngaro, otomano, alemão, por outro lado novos estados se despontam na Europa, como a Polónia, Hungria, Checoslováquia e Jugoslávia, a par disto, também outros estados ampliam as suas fronteiras, como a França que recupera Alsácia Lorena.
Neste contexto de mudança, a Alemanha é a grande perdedora face à Primeira Guerra Mundial, considerada pelas cláusulas do Tratado Versalhes como a principal responsável pela Guerra. As perdas deste país assumem-se deveras pesadas e violentas. Vê-se, então, amputada de 1/7 do seu solo, 1/10 da sua população e cortada em duas, já que o corredor Dantzig da Polónia, separa a Prússia Oriental do restante território, perde as suas colónias, a frota da guerra, parte da frota mercante, as minas de carvão para o Sarre (França), e vê-se obrigada a reparar financeiramente os prejuízos causados pela Guerra.
Perante isto, como senão bastassem as perdas geográficas e económicas, os Aliados entenderam ferir o orgulho alemão, aniquilando a sua capacidade militar, por isso, o exército alemão ficou reduzido e o serviço militar cessou de ser obrigatório.
Neste âmbito, é criada em 1919 um liga das nações, proposta por Wilson, na mensagem em 14 pontos, que velasse pela paz e segurança internacionais, tentando evitar os conflitos que acabam por deixar os países, neles envolventes com prejuízos enormes.
É, então denominada como Sociedade das Nações, que tem como objectivos, os citados anteriormente. Esta liga sem o apoio dos americanos, e sem mecanismos fundamentais que permitam intervir em caso de conflitos, em prol de garantir a paz e segurança, acaba por falhar, dando origem, mais tarde, a um outro organismo, designado como ONU criado após a Segunda Guerra Mundial, pela Conferência de Potsdam.
Desta forma, a Primeira Guerra Mundial afectou de modo desigual as economias mundiais e as trocas internacionais. Se provocou o declínio da Europa, beneficiou, ao invés, os países extra-europeus, com destaque para os Estados Unidos, que se elevaram à primeira potência mundial.
Assim, a Europa, com os campos destruídos, fabricas paradas, transportes desorganizados, finanças que dispararam, dividas acumuladas, que provocaram o endividamento, o que levava a um espectro de inflação galopante, necessitando urgentemente de ajuda externa, no qual a Europa se viu extremamente dependente desta ajuda preciosa.
Foi então, que os americanos, que contém metade do outro mundial, uma capacidade de produção superior.
Com a ajuda americana, a Europa conseguiu a recuperação económica, conhecendo o período áureo do taylorismo, tal como os EUA.
Entre 1925 e 1929 o mundo capitalista respirou fundo, e viveu-se a prosperidade americana, e os “loucos anos 20” na Europa.
Este período foi acompanhado por um sentimento de confiança e optimismo no crédito americano.




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