Domingo, 13 de Abril de 2008

O relativismo científico, a psicanálise e a revolução artística

Albert Einstein (1879-1955) Sigmund Freud (1856-1939)

«O modernismo vanguardista organiza-se sobre o princípio de que à geração nova cabe o papel messiânico de romper com o passado e de, sobre os escombros da herança destruída e abandonada, acelerar a evolução, inventar o futuro, criar um mundo novo.

Se observarmos as principais tendências do primeiro modernismo em geral, numa primeira fase, duas vertentes: a antitradicionalista e iconoclástica, e a futurista.

A primeira incendia a tradição e destrói as suas imagens e símbolos; a  segunda, complementar, deseja ultrapassar o passado, transcender o presente e criar desde já o futuro, não sendo pois de admirar que a expressão do movimento, da velocidade, do futurível na sociedade actual, constitua o seu principal propósito. Por um lado, o fauvismo, o cubismo, o expressionismo, o abstraccionismo, o dadaísmo; por outro, o movimento propriamente futurista, que entronca nalguns daqueles, mas para acentuar as dimensões de velocidade, de aceleração, de motricidade social ou industrial.»

 

António Quadros, O Primeiro Modernismo Português - Vanguarda e Tradição, Lisboa, Europa-América

 

Relacione a emergência do relativismo científico e a influência da psicanálise com a revolução artística.

http://www.youtube.com/watch?v=l-1Z2wi2uSA

http://www.youtube.com/watch?v=CC7Sg41Bp-U&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=AZ6N85lNgHY&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=sfGsjQ_0l54&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=wRUUBH2oKxQ&feature=related

Publicado por História às 18:53
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1 comentário:
De Graça Silva a 17 de Abril de 2008 às 17:28
Nos princípios do século XX, vários campos da ciência foram abandonando gradualmente o racionalismo, a certeza e o absoluto, adoptando a incerteza e o relativismo.

Einstein, com as suas célebres teorias da relatividade (1905-1916), demonstra que o espaço, o tempo e o movimento não são absolutos, mas sim relativos ao observador e ao seu próprio movimento no espaço.
Ao analisarmos em mais pormenor as teorias deste cientista, verificamos que a teoria da relatividade além de derrubar as certezas da Física de Issac Newton, demonstra que a verdade científica é menos universal do que se supunha.
Albert Einstein, em 1905, na sua Teoria Especial da Relatividade, afirmou que a velocidade da luz era fixa e que nenhum objecto físico (como uma nave espacial, por exemplo), podia viajar mais depressa do que essa velocidade. Demonstrou também que à medida que os objectos se aproximam da velocidade da luz eles encolhem, a sua massa aumenta e o tempo abranda.
Depois em 1916, na Teoria Geral da Relatividade, Einstein avançou uma descrição em quatro dimensões do Universo, chamada espaço-tempo, segundo a qual o tempo é considerado como uma outra dimensão, tal como o comprimento, a espessura e a profundidade.

Outra personalidade que se distinguiu, foi Sigmund Freud com a sua nova teoria, a psicanálise, apresentada no 1º Congresso Internacional de Psicanálise, em Salzburgo (Áustria, 1908).
Freud utilizou a psicanálise para tratamento de doentes, no qual recorria à análise dos sonhos e de pensamentos relacionados por uma associação livre, bem como à hipnose para aceder às esferas mais profundas da mente. Para ele, as recordações e pensamentos desagradáveis são reprimidos para o id (inconsciente), onde permanecem recalcados, criando neuroses. Graças à psicanálise, o doente torna-se consciente desses recalcamentos, libertando-se assim da neurose.
Além desta teoria, Freud, escreveu várias obras em que apresentava uma visão revolucionária para a época, sobre vários assuntos, como a “divisão da mente” (em id, inconsciente, ego ou eu, racional e superego, inibidor do ego, com sentimentos de culpa), sexo, sonhos religião, entre outros.
Estas teorias causaram um grande impacto na sociedade do seu tempo, o que se vem a sentir até à actualidade.
Entre os seus seguidores, contam-se escritores, artistas e outros intelectuais que ansiavam por desvendar os segredos da mente e do comportamento humano.

Assim, com todas estas teorias revolucionárias para aquela época, não é difícil de perceber como é que surgiu uma revolução artística.
Com estas novas ideias as pessoas largaram o racionalismo e tudo passou a ser relativo.
Podemos verificar isso em praticamente todas as correntes da pintura, por exemplo.
No expressionismo, está presente a distorção da realidade, pois afinal, todos nós vemos o mundo de maneira diferente, é relativo. Está patente a subjectividade de cada pintor, a emoção, o íntimo, ou seja, começa-se a transmitir para a tela o interior, e o id do próprio artista.
No dadaísmo, também se pode encontrar pontos de referência vindos destas teorias, pois esta corrente artística é caracterizada pela oposição a qualquer tipo de equilíbrio, pela combinação de pessimismo irónico e ingenuidade radical, pelo cepticismo absoluto e improvisação, enfatizou o ilógico e o absurdo.
O abstraccionismo, vai completamente de encontro com a teoria de Freud, uma vez que o que se retrata é algo que está na mente do artista, ou seja, existe a vontade de ir para além daquilo que não se vê, que não é material.
No surrealismo, tal como André Breton (um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo), diz em o “Manifesto do Surrealismo”, de 1924: “O Surrealismo é o automatismo psíquico puro pelo qual nos propomos exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja por qualquer outra forma, o funcionamento real do pensamento.” e ainda “O Surrealismo assenta na omnipotência do sonho, no jogo desinteressado do pensamento.” Aqui, também se pode verificar a influência das novas ideias cientistas.

Conforme eu dei estes exemplos, existem outros e outras coisas que foram mudadas por estas teorias, por estas novas maneiras de pensar.
Sem dúvida, Einstein e Freud foram causadores de uma grande e profunda mudança na História.


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