Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

As opções totalitárias

Mussolini e Hitler, 1941 «[A Depressão iniciada em 1929 tomou os] conflitos entre as diversas classes sociais ainda mais profundos e explosivos. Os sectores mais explorados da população – os operários e os camponeses – passaram a reclamar de forma mais contundente soluções sociais que melhorassem suas condições de vida.

Os regimes democráticos liberais revelaram-se incapazes de solucionar os grandes problemas sócio-económicos da época. O impacto da crise provocou, então, em diversos países, um enfraquecimento das ideias liberais democráticas. Por outro lado, ampliavam-se e fortaleciam-se, dentro dos Estados capitalistas, as atribuições do Poder Executivo. (...) Além da crise do capitalismo (...) [um outro importante] factor promoveu o recuo do liberalismo, abrindo espaço ao avanço dos regimes totalitários, em alguns países particularmente abalados pela crise. Era o medo, alimentado pelas classes dominantes, da expansão dos movimentos socialistas, revigorados pelo exemplo da Revolução Soviética.

Os partidos de orientação marxista, empenhados em organizar o proletariado contra  a exploração capitalista, representavam uma ameaça aos interesses dos grandes banqueiros e industriais. Para salvar esses interesses, significativa parcela das classes dominantes apoiou a ascensão das doutrinas totalitárias, que prometiam restabelecer a ordem e a disciplina social.»

 

Gilberto Cotrim, História e Consciência do Mundo, Ed. Saraiva

 

Identifique o contexto em que emergiram as opções totalitárias nas décadas de 1920 e 1930.

Publicado por História às 12:19
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4 comentários:
De Cátia Santos a 14 de Abril de 2008 às 23:37
Nos anos a seguir à Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, durante a Grande Depressão, a Europa viveu um período de grandes dificuldades económicas e de agitação social. Estas circunstâncias favoreceram o aparecimento de grupos políticos defensores de regimes autoritários.

A década de '30 assinala o triunfo das ditaduras na Europa. Assim aconteceu na Itália e na Alemanha, com a implantação do fascismo e do nazismo, liderados por Mussolini e Hitler, respectivamente. Também em Portugal se instalou um governo conservador e autoritário, liderado por Salazar, e em França dominava um governo de unidade de esquerda. Em Espanha, este confronto ideológico levou mesmo a uma violenta guerra civil, entre 1936 e 1939.

À margem do mundo ocidental, a União Soviética conheceu, sob a ditadura de Estaline, a grande viragem para o socialismo.


De Gisela MArquez a 8 de Maio de 2009 às 14:10
Entende-se por totalitarismo sistema político não democrático, no qual a separação de poderes não existe, ficando a totalidade do poder do Estado concentrado numa só pessoa ou num só partido.
Todas as instituições económicas, sociais e culturais são submetidas à razão do Estado, que se torna no único detentor da verdade. Assim, o Estado é, por conseguinte, a suprema e absoluta razão de ser das pessoas, que abdicam da sua individualidade.
Ora, no mundo ocidental, o Século XX despontou o signo do demoliberalismo. Direitos individuais, como a liberdade e a igualdade, eram garantidos por um Estado que se afirmava neutro e assentava na divisão dos poderes.
A própria vitória dos Aliados na 1ª Guerra Mundial, parecia inaugurar uma ordem internacional mais justa, baseada no triunfo das nacionalidades e nos progressos da democracia.
No entanto, com o passar dos anos 20, um novo sistema de exercício do poder confrontou o demoliberalismo. Movimentos ideológicos e políticos subordinaram o indivíduo a um Estado omnipotente, totalitário e esmagador.
Na Rússia Soviética, o totalitarismo adquiriu uma feição revolucionária: nasceu da aplicação do marxismo-leninismo e culminou no Estalinismo. Já na Itália e posteriormente na Alemanha, o Estado totalitário foi produto do fascismo e do nazismo de cariz mais conservador.
Nos anos 30, a grande depressão económica acentuou a crise da democracia liberal. Então uma vaga autoritária e ditatorial submergiu a Europa.
Afirma-se mesmo que as opções totalitárias surgem como um produto dos choques consecutivos da guerra e do pós-guerra. A crise económica de 1929, reabrindo as feridas mal saradas do pós-guerra e suscitando com o desemprego novas categorias de marginalizados, têm idênticas consequências do ponto de vista político. Nos países vencedores, que encontram precisamente na vitória uma justificação das suas instituições democráticas, estas crises são ultrapassadas com relativa facilidade. Inversamente, o fascismo é uma resposta à frustração nacional resultante de uma derrota (Alemanha), de uma vitória incompleta (Itália) ou mesmo de uma situação de sujeição de um Estado democrático (Croácia, Eslováquia).


De Tamires a 10 de Outubro de 2011 às 17:55
Gostei do conteúdo vai me ajudar muito na prova de hoje. Tô surper nervosa.


De Tamires a 10 de Outubro de 2011 às 17:59
Gostei do conteúdo vai me ajudar muito na prova de hoje. Tô surper nervosa.


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