Domingo, 8 de Junho de 2008

A afirmação do neoliberalismo e globalização da economia

«Confundem, os mais cépticos globalização com empobrecimento. Ou porque as etiquetas de produtos comercializados nas lojas exibem a chancela de um país de baixo PIB per capita. Ou porque a produção industrial tende a deslocar-se para países de baixos custos. Brandem que é impossível competir com tais modelos, e que a abertura de fronteiras implicará choques civilizacionais de alcance imprevisível.

Repudio essa visão. Se é mais barato produzir fora, se o preço é variável de decisão essencial, deslocalize-se a produção. […]. Não se insista em bem produzir aquilo que chineses ou indonésios também fazem, cada vez melhor, por um terço ou metade do custo. Invista-se antes nesses países – que, alem do mais, oferecem um enorme potencial de crescimento do mercado interno a longo prazo. […].
O desafio fundamental que se coloca à nossa economia, para que esta saia ganhadora com a globalização, é o da mobilidade. Mobilidade na adopção de novas tecnologias; no acesso ao capital financeiro; por fim, quanto ao papel do Estado na economia. […].
Continuo a reclamar do Estado a demolição de estruturas que entorpecem essa mobilidade – a lei do arrendamento habitacional, o imposto de Sisa sobre imóveis, a ausência de disseminação equilibrada da administração pública pelo território, ou abolição da psicose do “emprego seguro, no Estado, para o resto da vida”».
 
Belmiro de Azevedo (presidente do Grupo Sonae), Expresso, Edição n.º 1567, de 2002-09-11
 
Avalie o impacto da globalização na economia mundial.
Publicado por História às 23:06
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1 comentário:
De História a 10 de Junho de 2008 às 16:53
A globalização económica é uma realidade do tempo presente (com origem nos anos 80) que se apresenta sob várias vertentes:
- comercial: os fluxos comerciais a nível mundial registaram um crescimento assinalável em resultado da diminuição das taxas alfandegárias, dos progressos nos transportes e da criação de organizações de comércio livre. Entre estas, destaca-se a OMC (Organização Mundial do Comércio, de 1995). A maior percentagem do comércio mundial cabe, no início do século XXI, à Europa Ocidental, devido ao aprofundamento de relações entre os Estados da União Europeia. Segue-se-lhe a região da Ásia-Pacífico, que conseguiu um elevado nível de comércio regional e internacional graças à ASEAN e à abertura capitalista da República Popular da China. Em terceiro lugar encontram-se os países da América do Norte;
- empresarial: a tendência económica, desde aos anos 90, consiste na mundialização da produção, sendo que a parte da concepção do produto permanece sediada nos países da Europa e Estados Unidos, enquanto a parte da realização do produto é entregue a fábricas localizadas, geralmente, em países menos desenvolvidos, portanto, onde a mão-de-obra é mais barata;
- financeira: os investimentos externos e a transacção de acções adquiriram montantes inéditos à escala mundial.

O fenómeno da globalização tem suscitado grande polémica e tem motivado veementes protestos e, por vezes, violentas manifestações por parte dos seus opositores. Se, por um lado, pelo processo de deslocalização, permite às populações dessas regiões o acesso a novas condições de trabalho e a um conjunto de bens e serviços que ignoravam, proporcionado crescimento económico e uma melhoria na qualidade de vida, não é menos verdade que tem provocado o aparecimento de alguns problemas. As principais críticas à globalização são as seguintes:
- a prepotência da tríade económica nos fluxos do comércio mundial reserva um papel subalterno às economias da América Latina, do mundo árabe e de África, que se mantém arredadas da maior fatia do lucro do sistema capitalista. Nestas vastas regiões, o PIB por cabeça tem vindo a decair, enquanto a população continua a crescer a uma taxa anual elevada;
- a facilidade com que as empresas multinacionais deslocalizam as diversas etapas da produção, em função dos seus interesses económicos, gera problemas de desemprego;
- as multinacionais também suscitam críticas de ordem humanitária: o lucro resulta, em grande medida, da exploração de mão-de-obra, muitas das vezes infantil;
- aponta-se a homogeneização dos gostos e dos hábitos como um sintoma de empobrecimento cultural;
- reforça a interdependência entre economias e a propagação da instabilidade financeira; - contribui para o desenvolvimento de fenómenos como o terrorismo, o comércio ilícito e a criminalidade financeira.

Apesar do impulso de desenvolvimento que a globalização imprimiu, nomeadamente ao conceder protagonismo económico a regiões anteriormente desprezadas, não faltam os sinais de repúdio, por exemplo por parte do Fórum Social Mundial que reúne, desde 2001, com um projecto de alter-globalização (uma globalização alternativa, que realça os aspectos positivos da diversidade cultural mas rejeita o capitalismo selvagem que perpetua a desigualdade social). Desde 2001, o Fórum Social Mundial tem reunido no intuito de criticar a exclusão social gerada pela globalização, pois o neoliberalismo conduziu à degradação das condições de vida no continente africano e na América Latina pelo avolumar da dívida externa e pela diminuição dos preços das matérias-primas exportadas. Pretendem os opositores à globalização a construção de um mundo mais equilibrado e justo, onde a paz seja promovida e o ambiente preservado.


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