Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Aristóteles e os fundamentos da democracia

“O fundamento da constituição democrática é a liberdade. Costuma afirmar-se isso, sob alegação de que apenas nesse regime se goza de liberdade; esse é, segundo se diz, o objectivo que visa toda a democracia. Uma das características da liberdade reside em ser governado e governar à vez.

A justiça democrática consiste na igualdade segundo o número e não segundo o mérito. De tal noção de justiça resulta que a soberania estará necessariamente no povo e que a opinião da maioria deverá ser o fim a conseguir e deverá ser a justiça. (…) Como resultado disso, nas democracias, os pobres são mais poderosos do que os ricos: são em maior número e a autoridade soberana está na maioria. Esse é, pois, um sinal de liberdade que todos os democratas colocam como marca do regime (…).

É que a igualdade não consiste em os pobres possuírem mais poder do que os ricos ou serem os únicos detentores da soberania, mas terem todos, uns e outros, por igual, de acordo com o número. Deste modo poderiam considerar que estavam asseguradas na Constituição a igualdade e a liberdade.”
Aristóteles, A Política, III
  1. Segundo Aristóteles, como se expressam a "liberdade" e a "justiça democrática".
Publicado por História às 12:33
De Anónimo a 18 de Novembro de 2009 às 02:25
A democracia ateniense era amplamente participada devido à pequena dimensão da pólis. Cada cidadão actuava por si próprio, não havendo assim, partidos políticos nem um corpo profissional de juízes ou de altos funcionários do Estado. A democracia ateniense era, por isso, uma democracia directa e todos os que não tinham interesse pelos assuntos públicos da pólis eram malvistos. A justiça democrática exercia-se através do exercício da cidadania. O sistema de sorteio era o mais preferido em relação ao sistema de eleição, para que se pudesse assegurar a participação de todos os cidadãos nos cargos públicos.


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