Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Grupo I - A romanização da Península Ibérica

O processo de aculturação desenvolvido na sequência da chegada das primeiras legiões romanas à Península Ibérica parece ter tido nos próprios soldados os principais agentes. (…) A instalação na Península de antigos soldados que aqui tinham combatido, terão constituído, um primeiro e importante passo em todo o processo. (…)

Por um lado, é evidente que a fixação na Península de antigos soldados constituiu um importante contributo para a generalização de um novo modo de vida. No entanto, a participação de auxiliares hispânicos no exército romano terá contribuído de igual modo para a habitação dos naturais a esta nova existência, a que não deixaram certamente de ser indiferentes. (…)

Carlos Fabião, A romanização do actual território português, in História de Portugal, vol. I, dir. José Mattoso, Círculo de Leitores, 1992
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A partir da análise das fontes estudadas:

- identifique os agentes de romanização e explicite a acção de cada um deles;

- explicite em que medida a política de urbanização constituiu um pilar para a romanização da península ibérica;

- refira as alterações provocadas pela romanização no modo de vida dos povos peninsulares.

Publicado por História às 01:12
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2 comentários:
De Diogo Almeida a 20 de Janeiro de 2009 às 20:33
O processo de aculturação desenvolvido na sequência da chegada das primeiras legiões romanas à Península Ibérica parece ter tido nos próprios soldados os principais agentes. A instalação na Península de antigos soldados que aqui tinham combatido, terão constituído, um primeiro e importante passo em todo o processo. A fixação na Península de antigos soldados constituiu um importante contributo para a generalização de um novo modo de vida. No entanto, a participação de auxiliares hispânicos no exército romano terá contribuído de igual modo para a habitação dos naturais a esta nova existência, a que não deixaram certamente de ser indiferentes. Outra componente de agentes de romanização era constituída pelos inúmeros comerciantes que se encontravam na Península Ibérica, nas proximidades dos acampamentos militares, durante todo o período da conquista. O processo de constituição de clientelas locais promovido por diferentes governadores das províncias hispânicas terá constituído uma outra forma de progressivamente, ambientar as populações locais ao modo de vida romano. No período de guerras civis em Roma, a emigração de romanos para a hispânia passou a ter um carácter diferente. Não se tratava já de emigrantes que tentavam a sorte num novo território ou de representantes dos interesses de ricos patronos, mas sim de emigrantes políticos, exilados da sua cidade. Tratava-se de uma emigração de elite. O estabelecimento de sólidas alianças com os poderes indígenas locais; a constituição de uma escola para os filhos dos magnatas peninsulares; a organização de um exército regular de forte componente indígena constituíram outros factores de romanização. Durante o reinado de Augusto (primeiro imperador romano), a instalação de grandes contigentes com a fundação de diversas colónias; a política de urbanização, não só das novas cidades, mas também de alguns povoados indígenas, como, por exemplo, Conímbriga, constitui um outro importante contributo na afirmação de um novo modo de vida. A cidade da antiguidade é, como sempre, um centro de poder político, administrativo e religioso. Constitui também um pólo territorial, que tira a sua subsistência e acumula riquezas extraídas de um espaço mais vasto, exercendo uma natural atracção não só sobre os habitantes desse espaço, mas também sobre os de paragens mais longínquas. Por tudo isto, concentra-se na cidade uma população numerosa e heterógenea, que inclui os representantes dos poderes; uma elite proeminente, com eles relacionada; uma grande multiplicidade de indivíduos, de diversos níveis sociais, ligados às actividades instituicionais; os trabalhadores que se dedicam ao comércio e ao artesanato; e ainda uma multidão indiferenciada de escravos, assalariados, militares e marginais. As cidades são, por outro lado, importantes mercados e centros de transformação, onde, naturalmente, afluem, por vezes vindos de muito longe, os mais diversos produtos. Suscitam também o desenvolvimento de vastas áreas agro-pecuárias nas suas imediações, para garantir o abastecimento dos seus moradores. Assim, nos locais onde o fenómeno urbano já existia, a romanização consistiu na progressiva assimilação dos hábitos e instituições romanos, apesar de em muitos deles os indígenas poderem manter o seu direito, religião e costumes próprios. Por outro lado, as vias constituem uma das mais famosas e impressionantes realizações do poder imperial de Roma. Constituíram um dos elementos materiais mais poderosos da administração romana, para além das cidades. Formavam uma rede constituída por estradas, pavimentadas com grandes lajes de pedra, frequentemente pontuadas por colunas cilíndricas – os chamados marcos miliários, que forneciam ao viajante indicações sobre as distãncias percorridas ou a percorrer entre os principais centros urbanos.



De Diogo Almeida a 20 de Janeiro de 2009 às 20:40
Um dos vestígios mais significativos da presença romana entre nós foi o referente às suas obras públicas. Por todo o império deixaram os romanos, estradas, pontes, aquedutos, termas, arcos do triunfo, que são ainda hoje testemunho da sua pujança ao nível da arquitectura e da engenharia.
Com a rede viária, também as restantes obras públicas funcionavam como um factor de unidade deste vasto e heterógeneo império. Através das suas obras, os romanos levavam aos vários povos o seu poder, cultura e civilização, integravam-nos na vasta comunidade, que tinha em Roma e no imperador a autoridade máxima.
A extensa rede viária construída pelos romanos era uma marca da sua civilização e da sua presença. Por essas estradas e pelas pontes que cruzavam os rios circulavam pessoas e mercadorias, desenvolvia-se o comércio, aproximavam-se gentes e cidades. Também se trocavam ideias, e serviam para a imposição da autoridade central. Eram por isso um importante factor de unificação do império, funcionando como um cimento que unia regiões distantes e as cercava de Roma.

As alterações no modo de vida dos povos peninsulares foram: alteração da propriedade fundiária; a introdução de novas culturas, como a oliveira e a vinha; a introdução de uma economia comercial e monetária; desenvolvimento de actividades ligadas à exploração mineira, à pesca e indústria conserveira; introdução de um novoestilo de vida mais pacífico e civilizado, testemunhado pela existência de teatros, anfiteatros, estádios, termas, balneários públicos e fóruns e a difusão da lingua latina falada e escrita, da qual derivou a lingua portuguesa.


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