Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Apologia da Razão e do progresso

Enciclopédia ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios«As nossas esperanças sobre o estado futuro da espécie humana reduzem-se a estes três pontos: a destruição da desigualdade entre nações, os progressos da igualdade num mesmo povo, enfim, o aperfeiçoamento real do Homem.

Chegará assim o momento em que o sol iluminará sobre a terra homens livres, não reconhecendo outro mestre além da sua razão [...].

Por uma escolha feliz e pelos próprios conhecimentos e métodos de ensino pode-se instruir todo um povo de tudo o que cada homem tem necessidade de saber para a economia doméstica, para a administração dos seus negócios, para o livre desenvolvimento da sua indústria, e das faculdades, para reconhecer os seus direitos [...], para ser senhor de si próprio.

A igualdade da instrução corrigiria a desigualdade das faculdades, assim como uma legislação previdente diminuiria a desigualdade das riquezas. Aceleraria o progresso das ciências e das artes, criando-lhes um meio favorável [...]. O efeito seria um aumento de bem-estar para todos.»

 

Condorcet, Quadro dos Progressos do Espírito Humano (1793)

 

Relacione o Iluminismo com uma visão optimista do futuro da Humanidade.  

Publicado por História às 02:35
| Comentar
3 comentários:
De Cátia Santos a 2 de Março de 2008 às 21:13
No século XVIII, as novas ideias dos filósofos da altura provocaram a derrocada do Antigo Regime. Ilustres como Galileu e Descartes mostraram a importância da observação e da experimentação, da contestação da autoridade, da dúvida metódica, do racionalismo como fontes do conhecimento.

Este novo espírito deve-se aos progressos técnicos e científicos desta época. Neste século existia mesmo um entusiasmo e paixão pelos relatos de viagens, pelos aeróstatos, pelas máquinas a vapor, pelas experiências físicas e químicas. Assim, a Natureza deixava de ser um mistério para o Homem.

É também nesta altura que o filósofo inglês John Locke elabora o pensamento das Luzes. Locke afirma que as ideias são o resultado da reflexão da mente sobre o material fornecido pelos sentidos e conclui que os valores morais emergem das sensações de prazer e dor.

Este pensamento do século XVIII fundamenta-se na fé na Razão humana e no seu poder, acreditando-se que esclarecidos (ou iluminados) os homens resolveriam toda a espécie de problemas e a Humanidade progrediria.

Assim, o Ilumismo tinha uma visão optimista e progressista do destino da Humanidade.


De História a 3 de Maio de 2008 às 03:46
O século XVIII é o século das Luzes ou do Iluminismo. Emanuel Kant define Iluminismo como a chegada da luz aos cantos sombrios da mente, a luz inimiga da ignorância, da superstição, do dogmatismo. O Iluminismo faz a apologia da Razão, que usada livre de preconceitos conduz ao aperfeiçoamento moral do Homem, sendo a fonte e dignidade humana. Este fundamento do conhecimento da Razão, no espírito de observação, promove o individualismo, o naturalismo, os ideais de justiça, igualdade, fundamentando a liberdade e o progresso.

A corrente filosófica iluminista acreditava na existência de um direito natural – um conjunto de direitos próprios da natureza humana, nomeadamente:
- a igualdade entre todos os homens;
- a liberdade de todos os homens (em consequência da igualdade, “nenhum homem tem uma autoridade natural sobre o seu semelhante”, escrevia Jean-Jacques Rosseau);
- o direito à posse de bens (tendo em conta que o pensamento iluminista se identifica com os anseios da burguesia em ascensão);
- o direito a um julgamento justo;
- o direito à liberdade de consciência (a moral era entendida como natural, independentemente da crença religiosa).
O pensamento iluminista defendia, assim, que estes direitos eram universais, isto é, diziam respeito a todos os seres humanos e, por isso, estavam acima das leis de cada Estado. Os Estados deveriam, antes, usar o poder político como meio de assegurar os direitos naturais do Homem e de garantir a sua felicidade.

A crença no progresso conduz à afirmação de uma nova ordem social e política, de que as propostas revolucionárias de Montesquieu, Rosseau e Voltaire são exemplo.
Montesquieu, tendo em conta a necessidade de conter o poder, permitindo o seu uso arbitrário, defende a doutrina da separação dos poderes (legislativo, executivo e judicial) como garantia da liberdade dos cidadãos. Rosseau, por sua vez, partindo da valorização da condição natural do Homem, defende a soberania do povo. É o povo que, de livre vontade, transfere o seu poder para os governantes mediante um pacto ou contrato social. Consegue, desta forma, respeitar a vontade da maioria sem perder a sua liberdade. Em troca, os governantes têm de actuar com justiça, sob pena de serem depostos. Voltaire advoga a tolerância religiosa e a liberdade de consciência: o deísmo rejeita as religiões instituídas, centrando-se na adoração a um Deus bom, justo e poderoso, criador do Universo.

Os ideais iluministas marcaram profundamente as mentalidades, contribuindo para acabar com o Antigo Regime e gerar repercussões nos modelos de organização das sociedades ocidentais. A defesa do contrato social transforma o súbdito passivo e obediente em cidadão interventivo; deste modo, e ao contrário do que acontecia no Antigo Regime, “um povo livre (…) tem chefes e não senhores”. A teoria da separação dos poderes acaba com o poder arbitrário exercido pelos reis absolutos. A ideia de tolerância religiosa conduz à separação entre a Igreja e o Estado, presente nos regimes liberais. A teoria do direito natural leva a que os iluministas condenem todas as formas de desrespeito pelos direitos humanos (tortura, pena de morte, escravatura…), contribuindo para a alterar a legislação sobre a justiça em vários países.


De Ana Costa a 18 de Abril de 2009 às 17:41
O século XVIII, designou-se por Luz, conhecimentos racionais, saber esclarecido, o único capaz de tornar claro todas as coisas. Aqueles que o punham em prática eram os iluministas, homens de mentes esclarecidas que, pelo esforço intelectual, visavam o conhecimento verdadeiro, expurgando o erro e a superstição em todas as áreas de actuação humana.
O Iluminismo valorizava o indivíduo por aquilo que ele possuía de mais valioso: a Razão ou inteligência. Defendia que a razão humana, quando exercida em liberdade e sem constrangimentos, era o único meio fidedigno para desvendar os segredos do Universo e construir o conhecimento sobre a Natureza, os homens e a sociedade. Concebia o conhecimento, as ciências, como o único meio de libertar o Homem da servidão, dos preconceitos, dos erros e injustiças que marcavam a vida da época; e também o único caminho através do qual se poderia construir o progresso e o bem-estar material das populações, conduzindo-as à felicidade, considerada como um direito natural.
Segundo os filósofos iluministas, o progresso, construído pela evolução cumulativa dos saberes e das técnicas, seria irreversível e só poderia melhorar a existência material e espiritual dos Homens, por isso, possuíam uma visão optimista do futuro.
Como filosofia racionalista e optimista, o Iluminismo reflectia o espírito da época, marcada pelo crescimento económico, demográfico e cientifíco-técnico.
O Racionalismo materialista de Locke, influenciou o Iluminismo no seu interesse pelo mundo físico (Natureza) e pela determinação das suas leis, as únicas verdadeiramente universais.
Foi reflectindo sobre a condição humana que os iluministas formularam os direitos naturais, entre os quais o direito à liberdade e à igualdade para todos os homens. Foi também, com base neles e na moral natural que o Iluminismo chegou à condenação da tradição.
Esta ampla divulgação e aceitação foi fruto do dinamismo dos seus cultores, como Voltaire, Rousseau, Montesquieu e o português Luís António Verney, que espalharam a sua acção pelo ensino, literatura, política, ciências, técnicas e artes, ou ainda nos salões e clubes culturais tão do gosto das elites da época.


Comentar post

Externato Luís de Camões

Pesquisar

 

Junho 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Posts recentes

Guia de estudo para o exa...

Guia de estudo para o tes...

Apresentação "Do autorita...

Caderno Diário "Do autori...

A Revolução de Abril

A liberalização fracassad...

Continuidade e evolução

O isolamento internaciona...

A defesa da independência...

A defesa do Ultramar

A solução para o Ultramar

O sobressalto político de...

Apresentação "Os Totalita...

O Estalinismo

O Estado Novo

O Nazismo

O Fascismo

As consequências da Grand...

A Grande Depressão dos an...

Caderno Diário "A Grande ...

Os "loucos anos 20" e as ...

Caderno Diário "Mutações ...

A falência da Primeira Re...

O agravamento da instabil...

Caderno Diário "Portugal ...

Caderno Diário "As transf...

Da depressão económica à ...

Guia de estudo: As Revolu...

Guia de estudo: A Filosof...

Guia de estudo: O Absolut...

Guia de estudo: A Socieda...

Trabalho de pesquisa - A ...

Trabalho de pesquisa - A ...

Trabalho de pesquisa - A ...

Exercício 5 - A Declaraçã...

Exercício 3 - Manifestaçõ...

Exercício 2 - O Absolutis...

Exercício 1 - A Sociedade...

Do Absolutismo às Revoluç...

Guia de estudo: Humanismo...

Arquivos

Junho 2013

Abril 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Maio 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Outubro 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Outubro 2007

Ligações