Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Apologia da Razão e do progresso

Enciclopédia ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios«As nossas esperanças sobre o estado futuro da espécie humana reduzem-se a estes três pontos: a destruição da desigualdade entre nações, os progressos da igualdade num mesmo povo, enfim, o aperfeiçoamento real do Homem.

Chegará assim o momento em que o sol iluminará sobre a terra homens livres, não reconhecendo outro mestre além da sua razão [...].

Por uma escolha feliz e pelos próprios conhecimentos e métodos de ensino pode-se instruir todo um povo de tudo o que cada homem tem necessidade de saber para a economia doméstica, para a administração dos seus negócios, para o livre desenvolvimento da sua indústria, e das faculdades, para reconhecer os seus direitos [...], para ser senhor de si próprio.

A igualdade da instrução corrigiria a desigualdade das faculdades, assim como uma legislação previdente diminuiria a desigualdade das riquezas. Aceleraria o progresso das ciências e das artes, criando-lhes um meio favorável [...]. O efeito seria um aumento de bem-estar para todos.»

 

Condorcet, Quadro dos Progressos do Espírito Humano (1793)

 

Relacione o Iluminismo com uma visão optimista do futuro da Humanidade.  

Publicado por História às 02:35
De Ana Costa a 18 de Abril de 2009 às 17:41
O século XVIII, designou-se por Luz, conhecimentos racionais, saber esclarecido, o único capaz de tornar claro todas as coisas. Aqueles que o punham em prática eram os iluministas, homens de mentes esclarecidas que, pelo esforço intelectual, visavam o conhecimento verdadeiro, expurgando o erro e a superstição em todas as áreas de actuação humana.
O Iluminismo valorizava o indivíduo por aquilo que ele possuía de mais valioso: a Razão ou inteligência. Defendia que a razão humana, quando exercida em liberdade e sem constrangimentos, era o único meio fidedigno para desvendar os segredos do Universo e construir o conhecimento sobre a Natureza, os homens e a sociedade. Concebia o conhecimento, as ciências, como o único meio de libertar o Homem da servidão, dos preconceitos, dos erros e injustiças que marcavam a vida da época; e também o único caminho através do qual se poderia construir o progresso e o bem-estar material das populações, conduzindo-as à felicidade, considerada como um direito natural.
Segundo os filósofos iluministas, o progresso, construído pela evolução cumulativa dos saberes e das técnicas, seria irreversível e só poderia melhorar a existência material e espiritual dos Homens, por isso, possuíam uma visão optimista do futuro.
Como filosofia racionalista e optimista, o Iluminismo reflectia o espírito da época, marcada pelo crescimento económico, demográfico e cientifíco-técnico.
O Racionalismo materialista de Locke, influenciou o Iluminismo no seu interesse pelo mundo físico (Natureza) e pela determinação das suas leis, as únicas verdadeiramente universais.
Foi reflectindo sobre a condição humana que os iluministas formularam os direitos naturais, entre os quais o direito à liberdade e à igualdade para todos os homens. Foi também, com base neles e na moral natural que o Iluminismo chegou à condenação da tradição.
Esta ampla divulgação e aceitação foi fruto do dinamismo dos seus cultores, como Voltaire, Rousseau, Montesquieu e o português Luís António Verney, que espalharam a sua acção pelo ensino, literatura, política, ciências, técnicas e artes, ou ainda nos salões e clubes culturais tão do gosto das elites da época.


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