Sábado, 20 de Outubro de 2012

Objetivo 1 - Caraterizar a democracia ateninese evidenciando o seu carácter direto;

O nosso sistema político não inveja as leis dos nossos vizinhos, pois temos mais de paradigmas para os outros do que de seus imitadores. O seu nome é democracia, pelo facto da direcção do Estado não se limitar a poucos, mas se estender à maioria; em relação às questões particulares, há igualdade perante a lei; quanto à consideração social, à medida em que cada um é conceituado, não se lhe dá preferência nas honras públicas pela sua classe, mas pelo seu mérito; nem tão pouco o afastam pela sua pobreza, ou pela obscuridade da sua categoria, se for capaz de fazer algum bem à cidade.

 

Discurso de Péricles, citado por Tucídes em A Guerra do Peloponeso (século V a.C.), in Claude Mossé, As Instituições Gregas, Lisboa, Edições 70, 1985

Tendo em conta a fonte, caraterize a democracia ateninese evidenciando o seu caráter direto.
Publicado por História às 12:33
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3 comentários:
De Pedro Santos a 20 de Outubro de 2012 às 17:41
Os Atenienses possuíam igualdade nos direitos (isonomia), no falar (isegoria) e no poder (isocracia). A isonomia estabelecia que as leis eram iguais para todos os cidadãos, independentemente da riqueza ou do prestígio destes, garantia que o cidadão se destacava pelo mérito e não pelos bens ou nascimento.
A isocracia era uma norma que estabelecia que todos os cidadãos tinham igual direito ao voto e a desempenhar cargos políticos, encorajava a participação na vida política da cidade.
Para que nenhum cidadão, nem mesmo o mais pobre, fosse afastado da vida cívica, os cargos eram remunerados (mistoforias). No entanto, esse pagamento era mais baixo do que o de um pedreiro, de modo a que os cargos políticos não fossem procurados para enriquecimento de quem os executava.
Vários cargos, como o de membro da Bulé), o de arconte e o de membro do tribunal do Helieu eram sorteados, para que todos pudessem intervir. Privilegiava-se ainda a rotatividade das funções, de modo a evitar que um tirano se apoderasse do governo da cidade.
Por último, a isegoria – igual direito de todos os cidadãos ao uso da palavra – favorecia o discurso político como forma de participação cívica. A oratória (dom da palavra) era altamente valorizada. A palavra isegoria era algumas vezes empregada pelos escritores gregos como sinónimo de democracia. Existiam mesmo escolas de bem falar. Isócrates afirmava, por isso, que a maneira de falar “é o sinal mais seguro da educação de cada um de nós”. No entanto, já nessa época se alertava contra a prática da demagogia (conquista da confiança do povo através do discurso vazio ou de promessas irrealizáveis).
Praticava-se, portanto uma democracia directa, bem diferente da democracia representiva dos nossos dias.


De Mafalda Pinho a 22 de Outubro de 2012 às 00:02
A democracia ateniense, caracterizava-se por todos os cidadãos serem iguais perante a lei e terem o direito de eleger e ser eleitos para os diversos órgãos do governo da cidade. Desta forma, os cidadãos podem participar pessoalmente na vida política, não havendo um grupo designado para os representar (como na actualidade), dizia-se que era, uma democracia directa.
Esta democracia seguia três conceitos: a isonomia, que consistia, na igualdade de direitos, leis e normas, ou seja, todos os homens, independentemente de serem ricos ou pobres,devem ter os mesmos direitos e deveres na sociedade,, mostrando uma forma de "gestão colectiva",um exemplo disso, é o facto de as leis serem compartilhadas e decididas por todos; a isegoria que consiste na igualdade de direito de todos os cidadãos ao uso da palavra, o que favoreciao discurso político, como forma de participação cívica. Este conceito, assume que a palavra de dois homens tem o mesmo valor perante a sociedade, ou seja, em caso de opiniões divergentes, é necessário discutir a questão e chegar a um consenso. O bom uso da palavra, a oratória, era muito valorizado na época e só alguns o possuíam; por fim, a isocracia, que é um princípio jurídico, que os cidadãos atenienses tinham o direito e o dever de participar na vida política da pólis.


De Ricardo Costa a 23 de Outubro de 2012 às 15:44
Partindo do principio da rotatividade dos cargos políticos ocupados, adoptado pela democracia Ateniense, podemos retirar a conclusão óbvia de estarmos perante uma democracia objectiva e preocupada com a seriedade e legalidade das suas funções.
Vejamos que todos aqueles que estavam abrangidos pelo conceito de cidadão eram considerados iguais independentemente de factores externos como a riqueza e afins. Assim sendo chegamos ao conceito de isonomia, que confere uma acção coesa e um carácter de união e trabalho conjunto para o agrado de todos.
Esta última ideia de coesão leva-nos a um conceito de isocracia que ajuda a cimentar a noção de justiça que devia impreterivelmente de existir entre os cidadãos. Uma sociedade unida e respeitadora funcionará sempre melhor do que uma onde a divergência e discórdia seja uma constante. É importante manter os cidadãos contentes e certos das suas capacidades. É engenhosa a forma como este conceito consegue isso mesmo e mostra à comunidade que ninguém tem mais poder que o seu próximo, mas sim um voto com um peso comum a todos.
Para que o poder que os cidadãos têm possa ser usado da forma mais correcta é importante ter um bom uso do discurso e conseguir ser persuasivo. Por essa mesma razão os cidadãos eram desde cedo ensinados a discursar e a ter a capacidade de demonstrar as suas ideias perante uma plateia. É aqui que atingimos a isegoria, a capacidade do cidadão participar na vida política e expor os seus ideais.
É curiosa a forma como tudo estava pensado de forma a funcionar tão bem e a criar o menor embaraço possível. Tudo isto à tantos anos atrás. Prova da sua eficiência é ser a base do modelo ainda aplicado nos dias de hoje.


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