Sábado, 20 de Outubro de 2012

Objetivo 3 - Explicar as principais restrições da democracia ateniense

A própria natureza assim o quis, dado que fez os corpos dos homens livres diferentes do dos escravos, dando a estes o vigor necessário para as obras difíceis da sociedade, dando a estes o vigor necessário para as obras difíceis da sociedade, e fazendo, contrariamente, os primeiros incapazes de dobrar o seu erecto corpo para dedicar-se a trabalhos duros, e destinando-os somente às funções da vida civil, repartida entre as ocupações da guerra e da paz. (…) Seja como for, é evidente que os primeiros são naturalmente livres e os segundos naturalmente escravos; e que para estes últimos é a servidão tão útil como justa.

 

Aristóteles, A Política, Livro I, Cap. II


Com base no documento, explique as principais restrições à democracia plena, existentes no regime ateniense.

Publicado por História às 13:09
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4 comentários:
De Mafalda Pinho a 20 de Outubro de 2012 às 13:26
A democracia ateninense, apesar de ser um modelo bastante avançado, para a época, contava com algumas restrições.
Actualmente, a democracia é um modelo político que tem como fundamento a igualdade entre todos, contudo, na época, os atenienses, também assumiam esta premissa, como sua, mas contradiziam-na ao fazerem distinção entre a população da pólis. Isto é, enquanto que nos dias de hoje, um cidadão é qualquer homem ou mulher com mais de 18 anos, em Atenas, apenas eram cidadãos os homens maiores de 20 anos, filhos de pai e mãe ateniense, com serviço militar cumprido, assim sendo, excluíam, mulheres, metecos e escravos, privando-os de participar na vida pública.
A escravatura, era também algo natural para os atenienses, na medida em que o senhor e o escravo precisavam um do outro, porém, nos dias de hoje, esta é uma atitude, anti-democrática.
Umaoutra diferença é a seguinte, enquanto que na democracia ateniense, estava em vigor uma democracia directa, ou seja, existia a participação directa de todos os cidadãos, actualmente, vivemos uma democracia representativa, isto é, os cidadãos elegem os seus representantes.


De Ana Rita Carvalho a 23 de Outubro de 2012 às 15:12
A democracia ateniense tem como principal restrição os diversos estratos sociais existentes na época , nem todos eram considerados cidadãos apenas o sexo masculino , com mais de 20 anos , filhos de pai e mãe ateniense e com o serviço militar cumprido é que poderiam estar inseridos na sociedade como cidadãos . Os homens ( cidadãos ) apenas foram feitos para pensar e não para outro tipo de serviço, tal, não acontecia com os escravos pois o seu corpo em nada se assemelhava ao corpo de um cidadão comum apenas serviam para trabalhar arduamente e nem à liberdade tinham direito tal como o texto acima refere " dado que fez os corpos dos homens livres diferentes do dos escravos, dando a estes o vigor necessário para as obras difíceis da sociedade, dando a estes o vigor necessário para as obras difíceis da sociedade, e fazendo, contrariamente, os primeiros incapazes de dobrar o seu erecto corpo para dedicar-se a trabalhos duros, e destinando-os somente às funções da vida civil, repartida entre as ocupações da guerra e da paz". Embora, os escravos não possam participar na vida política também as mulheres não podem opinar sobre tal assuntos tendo apenas o direito de permanecer caladas e apenas obedecer ao seu marido e ao seu filho mais velho. Estas apenas tinha o direito de cuidar dos filhos e assistir às festas no templo de hera, como ,deveres teriam de cuidar da casa e serem sóbrias. Também os estrangeiros não eram considerados cidadãos e tinham deveres como custear as festividades e espectáculos , cumprir serviço militar e pagar impostos. A democracia ateniense em muito tinha restrições como estas que acima apresentei , algo que hoje em dia já mudou.


De Emanuel a 24 de Outubro de 2012 às 19:37
A democracia ateniense, por muito perfeita que parecesse na época , actualmente nao teria ética nem moral para ser instituida. A descriminação é uma das restricções , punida actualmente, que desmascara a democracia ateniense, onde só e apenas os homens que fossem considerados " cidadãos", uma minoria dentro de uma polis vastissíma demograficamente, onde escravos, metecos e mulheres, ( a maioria), não tinham qualquer direito politico, nao podendo participar activamente na democracia, sendo um dos seus maiores objectivos, a defesa da igualdade de direitos . A criação de leis e a sua execução, era levada acabo apenas por esses mesmos cidadãos, e só a eles é que era imposta, o resto vivia da servidão. Apenas os estrangeiros podiam fugir á regra , podendo, após permanecerem um mes dentro da polis, tornar-se cidadãos dessa cidade, podendo reger-se pelas suas leis, podendo exercer o comercio e participar em determinadas actividades civicas.


De Ricardo Costa a 28 de Outubro de 2012 às 13:33
Era sobretudo dada importância aos cidadãos, este é um factor que é apresentado pela democracia ateniense vezes sem conta. Com isto digo que tudo era decidido, refutado, pensado por aqueles com a idade certa e o serviço militar cumprido, filhos de pais atenienses. É sem dúvida um democracia baseada em teorias muito desenvolvidas e um tanto ou quanto deslocalizadas da idade em que se encontram, no entanto a forma como o mundo era visto nessa altura provoca aquilo a que hoje podemos caracterizar como certas restrições. No entanto é importante manter a consciência de ser um momento diferente da história, numa situação contrária também muitos erros seriam encontrados no sistema que hoje aplicamos.
Comecemos por falar na escravidão, "...os segundos naturalmente escravos; e que para estes últimos é a servidão tão útil como justa.". Como indica a citação, os escravos eram uma constante na sociedade Ateniense, qualquer cidadão devia e teria certamente escravos, e a ideia que estava enraizada era a de estes existirem objectivamente para servir. Escravidão essa que nos dias de hoje é altamente punível e descartada obrigatoriamente.
A discrepância entre homens e mulheres é brutal, ou melhor, encontram-se em realidades tão diferentes que nem são comparáveis. Enquanto homem, o poder é quase total, a participação é constante. A mulher tem obrigatoriamente de ser submissa, não tem qualquer controlo sobre nenhuma situação, à excepção dos seus filhos mais pequenos, deverá ter a função de os guardar e educar. Até mesmo ao filho mais velho deve obediência, e claro está que ao seu homem deve respeito total e também obediência rigorosa.
Aos estrangeiros, designados por metecos, era dada a possibilidade de conseguirem praticar uma actividade económica dentro da sociedade. Obrigados a inúmeros impostos, ajudariam também a custear festividades e diversas acções que se poderiam dar. Cumpriam serviço militar mas não poderiam participar na vida política de modo algum. Contudo poderiam um dia vir a tornar-se cidadãos atenienses.
São evidentes as objecções existentes à democracia plena na sociedade Ateniense, contudo é notável a forma como, ainda que com as suas deficiências, o plano estava tão bem modelado e resultava de uma forma tão eficaz.


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