Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Em defesa da tolerância religiosa

«O deísta é um homem firmemente persuadido da existência dum ser surpremo tão bom como poderoso, que formou todos os seres extensos, vegetantes, sensíveis e reflexivos; que perpetua a sua espécie, que pune sem crueldade os crimes e recompensa com bondade as acções virtuosas. O deísta não sabe como Deus pune, como favorece, como perdoa; pois não é tão temerário que se gabe de conhecer como Deus actua; mas sabe que Deus actua e que é justo.[...] Reunido neste princípio com o resto do universo, não abraça nenhuma das seitas, que todas elas se contradizem. A sua religião é a mais antiga e a mais extensa; pois a simples adoração dum Deus precedeu todos os sistemas do mundo [...]. Crê que a religião não consiste nem nas opiniões duma metafísica ininteligível, nem em vãos aparatos ou solenidades, mas na adoração e na justiça [...]. O maometano grita-lhe: "Tem cuidado, se não fazes a peregrinação a Meca!" "Desgraçado de ti se não fazes uma viagem a Nossa Senhora do Loreto" – diz-lhe um franciscano. Ele ri-se de Loreto e de Meca; mas socorre o indigente e defende o oprimido.»

 

Voltaire, Dicionário Filosófico (1721)

 

Caracterize o pensamento religioso das Luzes.

Publicado por História às 02:49
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5 comentários:
De Arnaldo e Zé a 4 de Março de 2008 às 18:12
Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade.

Dos vários protagonistas do Iluminismo, destacam-se ; Jean Jacques Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot.

Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e procurar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.
O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, e, este, passou a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo teve mais influência em França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independências das colónias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil.
Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caractér religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero.
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua forma de participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões económicas.

No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: Em primeiro lugar vinha o clero, em segundo a nobreza, em terceiro a burguesia e os trabalhadores da cidade e do campo. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significativamente os seus negócios, uma vez que, com o fim do absolutismo, foram tirados não só os privilégios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa.



De cristina leite a 4 de Março de 2008 às 18:13
Mais do que uma filosofia, o iluminismo constituía uma mentalidade, uma concepção unitária do mundo e da vida, cujo aspecto fundamental se traduzia numa fé extraordinária nas forças da razão, que seria capaz de resolver definitivamente os problemas da vida, da ciência e do homem. Políticos, diplomatas, homens de letras e cientistas deixaram-se, então, dominar por uma filosofia que exaltava a razão subjectiva e crítica como expressão de um novo humanismo. Dá-se, assim, aquilo que alguns autores designam como «crise de consciência europeia». Deveria, pois, cultivar-se tudo o que esclarecesse o homem e lhe desse consciência do seu mundo.


De Graça Silva e Cátia Santos a 4 de Março de 2008 às 18:19
A critica à igreja, a descrença, o cepticismo e a laicização dos costumes ganham novo fôlego no século das Luzes.

Alguns filósofos, como Diderot, proclamavam-se ateus e materialistas. Para eles, tudo se explicava pela matéria, de cuja natureza eterna resultariam a ordem universal, as leis do movimento e até mesmo o pensamento. Concluíndo, Deus era uma hipótese inútil.

Porém, a maioria dos pensadores deste século era deísta, pois acreditavam que o Universo tinha sido criado por um "Ser Supremo", omnipotente e todo inteligente, através de leis eternas e imutáveis. Assim, o Universo era um mecanismo admiravelmente ordenado.

Nesta altura, Voltaire, um dos mais célebres deístas, fez uma forte crítica à religião católica, acusando a Igreja de especular com a superstição, a ignorância e o medo, em nome dos seus interesses pessoais.

Para estes filósofos, o catolicismo opunha-se às leis da Natureza e à moral natural que Deus impusera já que aconselhava o sofrimento, a pobreza e a humildade, levando os homens a abdicar da luta pela liberdade e pela felicidade.


De Anónimo a 4 de Março de 2008 às 18:26
É na época das luzes que a critica á igreja aumenta. A descrença e o cepticismo esboçam na sociedade através dos filósofos que se proclamavam ateus e materialistas, pois para eles tudo se explicava pela matéria e, Deus era uma hipótese inútil.
Era uma altura de mudança, de novos pensamentos e a razão veio-se sobrepor á religião do ser supremo e omnipotente.
Todas estas mudanças na sociedade eram efectuadas pelos deístas ( o mais conhecido deísta era Voltaire).
Para os filósofos deítas:
- O catolicismo opunha-se ás leis da natureza;
- À moral natural que deus impusera;
Pois aconselhava o sofrimento, a pobreza e humildade.
Com tudo isto a razão sobrepunha-se ao preconceito religioso.
Tal como refere Voltaire, os deístas " crêm que a religião não consiste nem nas opiniões de uma metafísica ininteligível, nem em vãos aparatos ou solenidades, mas na adoração e na justiça."


De Pedro / Cecilia a 27 de Março de 2009 às 15:24
O século XVIII é o século das Luzes ou do Iluminismo. Emanuel Kant define Iluminismo como a chegada da luz aos cantos sombrios da mente, a luz inimiga da ignorância, da superstição, do dogmatismo. O Iluminismo faz a apologia da Razão, que usada livre de preconceitos conduz ao aperfeiçoamento moral do Homem, sendo a fonte e dignidade humana. Segundo Diderot “o Homem não encontra a verdade senão no fundo de si próprio”, assim sendo, este fundamento do conhecimento da Razão, no espírito de observação, promove o individualismo, o naturalismo, os ideais de justiça, igualdade, fundamentando a liberdade e o progresso.

A corrente filosófica iluminista acreditava na existência de um direito natural – um conjunto de direitos próprios da natureza humana, nomeadamente a igualdade entre todos os homens. Charles de Montesquieu afirmava que a “liberdade é o direito de fazer tudo aquilo que as leis permitem.”
A liberdade de todos os homens (em consequência da igualdade, “nenhum homem tem uma autoridade natural sobre o seu semelhante”, escrevia Jean-Jacques Rosseau);
O direito à posse de bens (tendo em conta que o pensamento iluminista se identifica com os anseios da burguesia em ascensão);
O direito a um julgamento justo;
O direito à liberdade de consciência (a moral era entendida como natural, independentemente da crença religiosa) como mencionou Jean-Jacques Rosseau “Há no fundo das almas um precipício inato de justiça e de virtude, com o qual nós julgávamos as nossas acções e as dos outros como boas ou más, e é a este princípio que dou o nome de consciência”.
O pensamento iluminista defendia, assim, que estes direitos eram universais, isto é, diziam respeito a todos os seres humanos e, por isso, estavam acima das leis de cada Estado. Os Estados deveriam, antes, usar o poder político como meio de assegurar os direitos naturais do Homem e de garantir a sua felicidade, ou seja como disse Immanuel Kant “Tem coragem para fazer uso da tua própria razão” sendo mais tarde considerado o lema do Iluminismo.

A crença no progresso conduz à afirmação de uma nova ordem social e política, de que as propostas revolucionárias de Montesquieu, Rosseau e Voltaire são exemplo.
Montesquieu, tendo em conta a necessidade de conter o poder, permitindo o seu uso arbitrário, defende a doutrina da separação dos poderes (legislativo, executivo e judicial) como garantia da liberdade dos cidadãos. Rosseau, por sua vez, partindo da valorização da condição natural do Homem, defende a soberania do povo. É o povo que, de livre vontade, transfere o seu poder para os governantes mediante um pacto ou contrato social. Consegue, desta forma, respeitar a vontade da maioria sem perder a sua liberdade. Em troca, os governantes têm de actuar com justiça, sob pena de serem depostos. Voltaire advoga a tolerância religiosa e a liberdade de consciência: o deísmo rejeita as religiões instituídas, centrando-se na adoração a um Deus bom, justo e poderoso, criador do Universo.
Condocet acredita que os homens poderiam atingir o estatuto de liberdade como refere a seguinte citação do mesmo “Chegará o momento em que o Sol iluminará sobre a terra homens livres, não reconhecendo outro mestre além da sua Razão”.

Os ideais iluministas marcaram profundamente as mentalidades, contribuindo para acabar com o Antigo Regime e gerar repercussões nos modelos de organização das sociedades ocidentais. A defesa do contrato social transforma o súbdito passivo e obediente em cidadão interventivo; deste modo, e ao contrário do que acontecia no Antigo Regime, “um povo livre (…) tem chefes e não senhores”. A teoria da separação dos poderes acaba com o poder arbitrário exercido pelos reis absolutos. A ideia de tolerância religiosa conduz à separação entre a Igreja e o Estado, presente nos regimes liberais. A teoria do direito natural leva a que os iluministas condenem todas as formas de desrespeito pelos direitos humanos (tortura, pena de morte, escravatura…), contribuindo para a alterar a legislação sobre a justiça em vários países.


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